quarta-feira, 10 de julho de 2013

Lágrimas, Amizade e Amor, parte 3

Não cheguei em casa arrasada nem nada do tipo. Olhei pra aquela desconhecida no espelho, e fiquei feliz por ter feito a Michele sentir raiva - não sou má, só que ela me fez sentir coisas piores que raiva.
Dormi. Dormi. Dormi. Quando olhei no relógio era mais tarde do que devia, nem me preocupei em para o colégio, não queria encarar certas pessoas mesmo. Fiz faxina durante todo o dia ao som de Demi Lovato. Um almoço de verdade depois de algum tempo comendo sanduíche caiu muito bem.
A tarde passou rápido, começou a escurecer e me sentir só, não tinha conversado com ninguém o dia todo. Meu celular tocou e vi o nome do Alexandre na tela.
- Por que você nunca mais me ligou?
- Calma Lucy. Liguei todos os dias no mesmo horário, mas seu celular sempre tava fora de área ou desligado - imitou a voz eletrônica.
- Fala logo o que tá acontecendo maninha.
- Não tá acontecendo nada. Juro.
- Mentirosa. Sempre que você jura você mente. O que tá acontecendo?
- Meio que beijei o ex da Michele - nunca consegui mentir pra ele.
- Mas você ficou mal por ter beijado ele por ele ser ex dela?
- Não. Fiquei mal por ele ser tão... tão ele.
- Não acredito! minha irmanzinha que não acredita no amor tá apaixonada! - começou a rir do outro lado.
- Eu não estou apaixonada!
- Tô indo Hannah - falou com a voz distante. - O nosso namoro vai de mal a pior. - Falou baixinho pra mim.
- Sinto muito.
- Tem certeza que não quer vir morar aqui comigo? não gosto da ideia da minha irmã apaixonada ficar morando sozinha.
Não Alê, eu não quero morar em São Paulo. Ah, o que você acha que eu posso fazer aqui sozinha.
- Você nem imagina, né?
- Deixa de ser chato e vai ver o que a Hannah quer.
- Se cuida.
- Você também.
O Alê nuca quis que eu ficasse sozinha, mas eu precisava desse tempo.
Os meus pensamentos foram interrompidos, mas uma vez pelo toque do meu celular. Quando eu te vi fechar a porta eu pensei em me atirar pela janela do 8º andar... Na tela apareceu um nome tão pequeno, mas que fez meu coração dar cambalhotas - Ian - atendo ou não atendo? aquela música tava me enlouquecendo.
- Oi - disse com uma voz rouca.
- Oi, por que você não foi para o colégio hoje?
- Acabei dormindo demais.
- Garota você precisa de um despertador - brincou.
- Pois é.
Silêncio.
- É constrangedor querer dizer alguma coisa e não conseguir - ele disse.
- Fala...
- Vem aqui em casa pegar meu livro emprestado, afinal, você perdeu um dia de aula.
- Ma já escureceu...
- Olha a frescura - me interrompeu - Na volta eu te levo até a porta da sua casa. Pode ser?
- Pode, mas só para você saber, eu não sou a Michele, então não me chame de fresca - desliguei.
Camiseta com estampa de bigode. Short. All star. Coque. Sem blush.
Andei rápido, tão rápido que quando percebi meu dedo já estava apertando a campainha.
- E aí? - veio me dar um beijo, mas me desviei a tempo - tudo bem?
- Tudo.
- Pera aí... Você tá sem blush?
- Tô - fiquei vermelha - com você nem preciso.
- Que bom entramos - ele me levou até o quarto dele, era um quarto bonito, resolvi ficar esperando ele pegar o caderno da porta mesmo.
- Qual é o problema? - perguntou.
- Pressa. Você me leva?
- Claro.
Andamos pelas ruas tranquilas. Parei na frente da porta da minha casa.
- Amanhã levo o caderno... - comecei a me despedir.
- É sério que você não vai me convidar pra entrar?

Continua...


          
 

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