domingo, 7 de julho de 2013

Lágrimas, Amizade e Amor

Ei menina, tá na hora de acordar!

Eu sei que o cara de óculos que estava nos meus sonhos não me disse isso, mas acho que era o dever de acordar que me fez pensar nisso.
Chinelos. Escova. Chuveiro. Blush. All star. Rabo de cavalo. Mochila. Maçã.
Era o meu primeiro dia do último ano de aula, passei rápido pelo corredor que eu e minhas (antigas) amigas matávamos aula. Cheguei antes do professor. Coloquei minha mochila em uma mesa próxima a janela e comecei a examinar a sala - as mesmas pessoas e aqueles mesmos olhares - morriam de pena de mim. E eu odeio pena.
O sinal tocou e nada de apresentações, era o terceiro ano e os professores tinham pressa. As aulas passaram tão rápido que quando percebi já estava no último horário. Ma como tudo na vida, não podia ser tão fácil, a professora de biologia passou um trabalho que seria feito em dubla para a próxima semana.
Ótimo.
Sozinha.
- Ian  você pode fazer dupla com a Lucy - só escutei a professora dizer isso, esse garoto estudava comigo desde o primeiro ano (do ensino médio), e  conhecia o bastante para manter distância.
Fiquei o resto da aula tentando me decidir o que comeria no almoço. O sinal tocou e o idiota veio falar comigo.
- É melhor começar fazer o trabalho hoje mesmo, pode ser na sua casa?
- Não, melhor não - desde o fim do ano não gostava que as pessoas frequentassem a minha casa.
- Então tá, te mando o endereço da minha casa por SMS, quero você lá às três! - E saiu.
Almocei, lavei a louça, liguei o computador, e me perguntei pela milionésima por que ainda tinha contato nas redes sociais.
Recebi o SMS. Vestido. Sapatilha. Rabo de cavalo. Blush. Mochila.
Até que não era muito longe, toquei a campainha, ele veio, conversamos sobre o trabalho, e até fizemos piadinhas sobre a professora.
- Você mora sozinho? - não tinha visto ninguém lá.
- Não, é que meus pais estão de férias, sabe, segunda lua de mel.
Juro que eu senti inveja dele, por ter um pai e uma mãe que se amam.
Continuamos o trabalho por algum tempo. E deixamos o resto para o outro dia. Ele me levou até a porta, percebi que ele não queria me deixar ir embora, e pior, eu não queria ir.
Nos sentamos na calçada da casa e ficamos conversando sobre tudo e sobre nada.
- Por quê você não me perguntou sobre a minha mãe? - quis saber.
- É um assunto seu, acho que for pra falar você que tem que falar. - E assim descobri que ele não era tão idiota.
Conversamos sobre outras coisas. Me despedi e fui para casa com uma sensação boa.
Filme. Pipoca. Pijama. Fones de ouvido. Travesseiro. Coberto. Sono.
Acordei mais tarde do que devia, quem mandou ficar ouvindo música? se minha mãe tivesse aqui ela teria me acordado.
Jeans. Coque. Mochila. E blush - não saio sem blush. Olhos inchados. Óculos escuros.
Não encontrei ninguém indo para o colégio, sinal que estava muito atrasada. Corredor vazio. Porta fechada.
- Posso entrar professor?
Tinha uma vadia ruiva - Michele - sentada no meu lugar. Fui pro fundo. Recebi uma bolinha de papel na cabeça.
Atrasada... Aposto que atrás
Desses óculos têm olhos inchados
Ps: No intervalo te pago um café.
Ian.
Olhei pra ele e vi que que depois de dois meses era a primeira vez que alguém realmente sorria pra mim - e era um belo sorriso.
- Puro por favor - falei enquanto escolhia o que ia comer.
- O que fez à noite? - me assustei com a pergunta.
- Dormi. Por quê?
- Sonhou comigo?
- Você só pode tá brincando, né? - Sim, ele era um idiota.
- Não, é por que eu sonhei com você.
- Sonho bom ou sonho ruim?
- Sei lá, não entendi direito.
Aulas. Almoço. "Momento dona de casa". TV. Lanche.
Ir na casa do Ian terminar o trabalho? Por quê não.







      

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