domingo, 1 de junho de 2014

As desconfianças

Liguei para ele uma, duas, três vezes e só dava ocupado, respirei fundo: ele deve está conversando com o irmão que foi morar na cidade grande, pensei. Mas não consegui acalmar meus nervos quando vi que a ex namorada dele postou a seguinte frase: É TÃO BOM FALAR COM PESSOAS QUE MEXEM COM OS NOSSOS SENTIMENTOS. E AINDA OUVIR UMA RISADA LINDA MESMO MEIO SOLUÇADA. Aquilo foi um golpe cruel, ela poderia ter conversado com qualquer outra pessoa, mas a história da risada soluçada só poderia ser a de Matheus.
Escrevi o seguinte comentário: POR QUÊ AS PESSOAS TRAEM EXATAMENTE AQUELES QUE MEXEM COM SEUS SENTIMENTOS? Apaguei , então escrevi outro: TAMBÉM ACHO A RISADA DO MEU NAMORADO LINDA, antes de clicar enter a campainha tocou. Ouvi meu pai arrastar os pés para ir atender, já estava tarde ele não gostava de receber visitas, quanto mais a noite.
- Quase que seu pai não me deixou entrar - disse Matheus assim que passou pela porta do meu quarto. - Como você tá?
Não respondi, apenas me levantei da cadeira e peguei a atividade de química que tinha levado a tarde toda para fazer. Quando me voltei para escrivaninha ele já tinha lido meu comentário ainda não enviado.
- Quando você vai deixar de ser tão imatura Bruna?
- Quando você atender minhas ligações, quando você não vim na minha casa só para pegar dever do colégio, quando...
- Quando o quê?
Não respondi, fiquei olhando para minhas mãos de repente não sabia onde colocá-las.
Ele se aproximou de mansinho, me abraçou fazendo ouvir as batidas do meu coração dele.
- Olha Bruna, minha mãe tava com meu irmão pelo meu celular, se você quiser olhar a chamada e a duração eu não me importo.
Fiquei tentada a olhar, mas resolvi deixar minhas desconfianças de lado e apenas abraçá-lo.
- Eu gosto muito de você, mas se você continuar com esse ciúme bobo não vai dar certo.  

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