domingo, 4 de janeiro de 2015

Improvável, Parte 1

As férias começaram e Bianca sabia que aquilo não poderia ser chamado de férias, pois ela havia concluído o ensino médio e todos os verões não teriam mais o mesmo sentido, já que quando chegasse fevereiro ela não iria para o colégio. Passou o pente nos cabelos rebeldes e saiu.
O tempo estava cinza, o trânsito estava horrível, e as botas que ela usava estavam apertadas.
Parecia que o sinal não queria abrir, e ela sabia que se chegasse atrasada Fernando brigaria com ela. Trabalhava na mesma lanchonete todo verão e provavelmente seria o seu trabalho de todas as estações agora. Fernando era simplesmente o patrão mais chato que alguém podia ter, mas pagava bem e ela precisava do dinheiro. Já que os caros não estavam andando com rapidez resolveu atravessar, passou em frente de alguns sem problema, a não ser pelos palavrões que os motoristas lançavam para ela em voz altíssima. Porém quando estava quase chegando do outro lado da rua ouviu um baque e tudo escureceu.
- Pô Bianca você amassou o Mini cooper da minha mãe.
Ela abriu os olhos quando ouviu a voz rouca de Liam, que ela achava que tinha um nome pouco apropriado para ele.
Olhou para as paredes brancas do quarto de hospital, sentiu uma dorzinha na coluna, então se apoiou na cama e fixou os olhos no cara mais mala da sua turma - que já não era mais uma turma.
- Mini cooper é carro de mulherzinha. Você deveria estar com uma Ferrari, Senhor Cheio da Grana.
Liam revirou os olhos e se sentou na beira da cama.
- De todas as garotas que existem no mundo fui atropelar logo a mais chata que eu conheço.
- Quando eu posso sair daqui?
Olhou para o soro que pingava mais devagar que o passo mais lento de uma tartaruga.
- Acho que até o meio dia você já saiu, foi só uma batida de leve.
- Porque era um carro de mulherzinha - Bianca deu um sorriso -, se fosse uma Ferrari teria me matado.
- Então tá - Liam se levantou. - Eu vou embora. Amanhã eu passo na lanchonete para te dar a conta do prejuízo do carro de mulherzinha.
Putz! Fernando vai me matar por eu não ter chegado ainda, Bianca pensou. Ela arrancou a mangueirinha que estava levando soro para a veia do pulso.
- Que merda que você tá fazendo Bianca?
- Por favor me leva para a lanchonete do Fernando AGORA.
- Como você é chata - ele girou a chave no dedo indicador. - Vamos logo antes que eu me arrependa.

Continua... 

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